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Controlo

Atlas.Gravity

A pergunta

Quando tudo parece importante, onde deve um decisor concentrar a sua atenção?

Potencial

A atenção de quem decide é o recurso mais escasso e o menos gerido de uma organização. Tratá-la como uma variável observável muda a forma como projetos, riscos e responsabilidades competem entre si.

Porque é que a atenção é o recurso menos gerido de uma organização?

Porque é o mais escasso e o único que ninguém distribui de forma deliberada. Gere-se o orçamento, gere-se o tempo das equipas, gere-se o risco. A atenção da administração vai para quem chega primeiro, para quem insiste mais e para aquilo que já correu mal.

O efeito é conhecido, mas raramente se diz em voz alta. Os assuntos que pedem atenção recebem-na, e os que precisam dela em silêncio (um risco que ainda não se manifestou, um projeto que está a derrapar devagar) ficam de fora até se tornarem urgentes. Quando lá chegam, já custam mais a resolver.

O que mudaria se a atenção de quem decide fosse observável?

Projetos, riscos e responsabilidades deixariam de competir pela insistência de quem os traz e passariam a competir por um critério. Tratar a atenção como uma variável que se observa muda a forma como uma organização decide o que olha primeiro.

Três coisas passariam a ser possíveis. Ver onde a atenção está efetivamente a ser gasta, o que quase nunca coincide com onde a administração julga que está. Ver o que não está a receber nenhuma, que é a informação mais valiosa e a mais difícil de obter. E medir quanto tempo passa entre um assunto surgir e alguém olhar para ele, um intervalo que é, por si só, um indicador de risco.

Porque é que é difícil medir a atenção de um decisor?

Porque a atenção não deixa rasto direto. Um euro gasto aparece numa conta; uma hora de preocupação não aparece em lado nenhum. Qualquer tentativa de a medir diretamente, seja por inquéritos ou registos de tempo, mede o que as pessoas dizem e não o que fazem, e acaba por alterar o próprio comportamento que queria observar.

Há também um limite legítimo. A atenção de um decisor é informação sobre uma pessoa, e um sistema que a observe tem de ser desenhado a partir do respeito por isso, e não a partir do que é tecnicamente possível.

Onde é que a atenção deixa marcas indiretas?

Nos sítios onde as organizações já registam o que fazem, sem pensarem nisso como atenção. As agendas das reuniões mostram que assuntos chegam à mesa e quais nunca chegam. As atas mostram quantas vezes o mesmo tema volta sem ser decidido. Os calendários mostram quanto tempo vai para o urgente e quanto sobra para o importante. E a circulação de perguntas mostra a quem se recorre de facto, e com que demora se obtém resposta.

Nenhum destes sinais, isolado, diz muito. A hipótese deste projeto é que, lidos em conjunto, desenham um mapa razoável de onde a atenção está, e sobretudo de onde não está, sem pedir a ninguém que preencha mais nada.

Em que fase está o Atlas.Gravity?

Está em fase de conceito: a pergunta está formulada e as dificuldades estão identificadas, mas ainda não existe um modelo testado.

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